sábado, 20 de setembro de 2014

A origem dos cães e dos gatos



As origens do cão doméstico baseiam-se em suposições, por se tratar de ocorrências de milhares de anos, cujos crescentes estudos mudam em ambiente e datação dos fósseis. Uma das teorias aponta para um início anterior ao processo de domesticação, apresentando a separação de lobo e cão há cerca de 135 000 anos, sob a luz dos encontrados restos de canídeos com uma cor próxima à do cinzento, misturados com ossadas humanas. Outras, cujas cronologias são mais recentes, sugerem que a domesticação em si começou há cerca de 30 000 anos, os primeiros trabalhos caninos e o início de uma acentuada evolução entre 15 000 e 12 000, e por volta de 20% das raças encontradas atualmente, entre 10 000 e 8000 anos no Oriente Médio. Além das imprecisões (falta de precisão) do período, há também discordâncias sobre a origem. Enquanto observa-se que os cães sejam descendentes de uma outra variação canídea, as mais aceitáveis são a descendência direta do lobo cinzento ou dos cruzamentos entre lobos e chacais(pequenos canídeos que abitam o continente africano).



As evidências baseiam-se também em achados arqueológicos, já que foram encontrados cães enterrados com humanos em posições que sugerem afeto. Segundo estes trabalhos de pesquisa, o surgimento das variações teria ocorrido por seleção artificial de filhotes de lobos-cinzentos e chacais que viviam em volta dos acampamentos pré-históricos, alimentando-se de restos de comida ou carcaças deixadas como resíduos pelos caçadores-coletores. Os seres humanos perceberam a existência de certos lobos que se aproximavam mais do que outros e reconheceram certa utilidade nisso, pois eles alertavam para a presença de animais selvagens, como outros lobos ou grandes felinos. Mais sedentários devido ao desenvolvimento da agricultura, os seres humanos então deram um novo passo na relação com os caninos. Eventualmente, alguns filhotes foram capturados e levados para os acampamentos na tentativa de serem utilizados. Com o passar dos anos, os animais que, ao atingirem a fase adulta, mostravam-se ferozes, não aceitando a presença humana, eram descartados ou impedidos de se acasalar. Deste modo, ao longo do tempo, houve uma seleção de animais dóceis, tolerantes e obedientes aos seres humanos, aos quais era permitido o acasalamento e que, quando adultos, eram de grande utilidade, auxiliando na caça e na guarda. Esse processo, baseado em tentativas e erros, levou eventualmente à criação dos cães domésticos.



Foi ainda durante a Pré-História que surgiram os primeiros trabalhos caninos e, com isso, começaram a fortalecer os laços com o ser humano. Cães de caça e de guarda ajudavam as tribos em troca de alimento e abrigo. Com o tempo, aperfeiçoaram o rastreio e dividiram o abate das presas com os humanos. Por possuírem alta capacidade de adaptação, espalharam-se ao redor do mundo, levados durante as migrações humanas e aparecendo em antigas culturas romanas, egípcias, assírias, gaulesas e pré-colombianas, tendo então sua história contada ao lado da do homem.



No Egito Antigo, os cães eram reverenciados como conhecedores dos segredos do outro mundo, bem como utilizados na caça e adorados na forma do deus Anúbis (Deus da morte). Esta relação com os mortos teria vindo do hábito de se alimentarem dos cadáveres, assim como os chacais. No continente europeu, mais precisamente na Grécia Antiga, cães eram relacionados aos deuses da cura, com templos que abrigavam dezenas deles para que os doentes pudessem ser levados até lá e terem suas feridas lambidas. Durante o período do Império Romano, os cães, sempre fortes e de grande porte, foram utilizados para a diversão do público em grandes brigas no Coliseu de Roma. Trazidos da Bretanha e da parte ocidental da Europa, eram mantidos presos e sem alimentos, para que pudessem ficar agressivos durante os espetáculos, nos quais deviam matar prisioneiros, escravos e cristãos. Sua fama ficou tão grande que as raças da época quase foram extintas, devido ao exagerado uso em guerras e apresentações.

Com o fim do Império Romano, o mundo entrou na fase da Idade Média, já com os cães espalhados pelo continente europeu, levados pelos mercadores fenícios do Oriente Médio à região mediterrânea e adentrado a região seguindo soldados romanos. Foi nessa época que os caninos perderam o relativo prestígio de antes, já que doenças como a peste negra “dominavam” a Europa e eram os cães que comiam os cadáveres nas periferias das cidades. A Igreja Católica, enquanto instituição mais influente passou a relacioná-los à morte e considerá-los criaturas das trevas. Sua mentalidade supersticiosa popularizou-os como animais de bruxas, vampiros e lobisomens. Tal influência, por incentivo da Inquisição, resultou em matanças de lobos, cães e híbridos. Indo ainda mais além, determinou decretos que diziam que se qualquer preso acusado de bruxaria fosse visitado por um cão, gato ou pássaro, seria imediatamente considerado culpado de bruxaria e queimado na fogueira. Apesar de toda a perseguição, no fim deste momento, os cães já começavam a ser vistos como companhia infantil.



Durante o Renascimento, a visão negativa sobre os cães foi desaparecendo, já que caíram no gosto dos nobres. Durante este período, os caninos eram utilizados para a caça esportiva e criados com cuidado dentro dos canis de cada castelo. Com as famílias livres para desenvolverem suas próprias raças, as variedades de cada região começaram a surgir. Estas novas raças eram consideradas tesouros não encontrados em nenhum outro lugar do mundo, e por isso, dados de presente entre a nobreza, por representarem grande sinal de riqueza. Esta atitude ajudou a espalhar ainda mais a variedade e a preservar determinadas raças, quando em seu lugar de origem acabavam exterminadas. Adiante, também na Europa, nasceram os cães de companhia, já que o apreço por eles crescia, conforme se via a fidelidade. Guilherme de Orange dos Países Baixos chegou a declarar que seu cão o salvou de um atentado. Ao mesmo tempo em que a diversidade crescia no continente, tribos siberianas usavam seus cães para praticamente tudo, já que eram bastante fortes e úteis para locomoção e outras atividades. Estes caninos, importados da Sibéria, ajudaram o ser humano na conquista dos polos pelos primeiros homens a pisar no Polo Sul e Polo Norte, puxando seus trenós.





No período das grandes navegações, os homens migraram ao Novo Mundo com seus caninos. Apesar de não ser desconhecido dos povos pré-colombianos, a variedade o era. Também durante a conquista, a presença deste animal teve sua utilidade: nas guerras contra os nativos, farejadores eram utilizados para encontrar e matar os índios. A respeito disso, há a lenda de que, na atual República Dominicana, milhares de indígenas foram exterminados por uma tropa de 150 soldados de infantaria, trinta cavaleiros e vinte cães rastreadores. Durante o século XIX, apesar de polêmicos, os treinamentos dos caninos para lutas e guerras, ganhou popularidade como na época de Alexandre. Nessa fase, algumas raças foram compostas por animais menores, mais brutos e de musculatura mais forte, como o Bull Terrier.



No século seguinte, eventos tornaram a marcar a evolução canina. As guerras mundiais extinguiram as raças das regiões mais afetadas e ajudaram a popularizar as variedades militares, como o Pastor Alemão e o Dobermann, enquanto rastreadores. No Japão, em plena guerra, o imperador decretou que todos os cães que não Pastores Alemães fossem mortos para a confecção de uniformes militares com seu couro. Devido a isso, muitos criadores de Akitas cruzaram seus animais com pastores alemães, para tentar fugir ao decreto. Os resultantes destes cruzamentos, levados aos Estados Unidos pelos soldados, foram os primeiros na criação de mais uma nova raça. Foi também após as guerras mundiais que surgiram os primeiros centros de treinamento de cães-guia de cego.



Modernamente, apesar de fazer parte da história humana desde a imagem divina aos soldados das guerras, o cão tornou-se um animal de estimação apenas no século XX, já adaptado aos modos de vida dos seres humanos, devido a sua habilidade de fazer de diversos ambientes os melhores possíveis, e ao voltar suas capacidades de aprendizado à domesticação. Diz-se que esta relação entre os dois mais numerosos carnívoros do mundo deve-se à compreensão e à evolução cerebral canina em entender o que querem as pessoas.






A origem do gato 



De acordo com um estudo genético realizado e posteriormente publicado na revista Science, o gato doméstico é descendente do Felis Silvestris Lybica, o qual nasceu do cruzamento entre cinco espécies selvagens distintas, ocorrido há mais de 100 mil anos. Os cientistas envolvidos nesta pesquisa descobriram gatos selvagens com DNA idêntico ao dos gatos domésticos, em Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita.
O estudo concluiu que apesar da árvore genealógica dos gatos domésticos indicar a origem em cinco tipos de felino selvagens, tal não significa que este animal foi domesticado cinco vezes.
Existem indícios de que o ancestral do atual gato doméstico tenha sido domesticado uma vez e posteriormente se tenha cruzado com outros gatos selvagens. Assim, tudo indica que a mudança da vida selvagem para a atual l foi algo progressivo no tempo e que deverá ter sido uma experiência de adaptação notável, considerando que os felinos são sobejamente conhecidos pela sua natureza feroz e letal.
A domesticação do gato pelos humanos apenas começou há cerca de 10 a 12 mil anos atrás, mais precisamente quando os agricultores começaram a cultivar as primeiras variedades de cereais. É sabido que cereais atraem roedores e que os felinos são os melhores caçadores que a natureza criou. Conclui-se, portanto, que a adaptação dos gatos à caça dos roedores que invadiam os locais de armazenamento dos cereais foi uma evolução nascida da necessidade humana.
A importância dos gatos foi tal que o povo egípcio os considerava sagrados. Esses animais eram tão venerados que existiam leis a proibir que os gatos fossem levados para fora do Egipto. Quem fosse apanhado a traficar um gato era punido com a pena de morte e quem matasse um gato recebia pena igual. Inclusive  quando um gato morria de morte natural era mumificado e os seus donos eram obrigados a usar trajes de luto.

Apesar de todas as proibições, acredita-se que terá sido o povo Fenício a levar os gatos nas suas embarcações para a Europa, por volta de 900 a.C., mais precisamente para Itália.
Quando os romanos invadiram o Egipto, os gatos começaram a acompanhar os exércitos introduzindo-se assim por toda a Europa. Foi assim que chegaram à Inglaterra onde o príncipe de Gales promulgou várias leis de proteção a este pequeno animal. Uma das mais curiosas era a lei que determinava que a pena para quem matasse um gato era paga em trigo, da seguinte forma: o gato morto era segurado pela cauda na vertical, ficando com o focinho junto ao chão e era deitado trigo sobre ele até que a ponta da cauda ficasse coberta.
Os gatos foram, durante muito tempo, acolhidos pelos humanos como um excelente animal doméstico, apreciado pela sua beleza e habilidade em caçar roedores. Aliás essa sua habilidade foi muito usada no combate aos ratos, enquanto transmissores da Peste Bubônica.
Apesar disso, nem todos os tempos foram bons para os gatos. Durante a Idade Média surgiram vários cultos que eram considerados demoníacos e hereges. Como os gatos faziam parte desses cultos, passaram a ser vistos como seres ligados ao demônio e às bruxarias, principalmente os de cor preta. Qualquer pessoa que fosse que fosse vista a ajudar um gato arriscava-se a ser acusada de ser bruxa e a ser torturada e queimada viva.
Esta mentalidade custou a vida a centenas de milhares de gatos, que foram cruelmente perseguidos, capturados e queimados em fogueiras. Foi o período da história em que ocorreu o maior decréscimo na população de gatos.
Foi também desta onda de perseguição que nasceram as superstições relacionadas com gatos, que subsistiram até ao final do século XVIII, tal como a superstição de que passar por um gato preto dá azar. Felizmente este preconceito diminuiu e durante o século XIX os gatos recuperaram a sua aceitação no seio da população.
Atualmente os gatos são o animal doméstico mais popular em todo o mundo, fazendo companhia à população de quase todas as culturas e continuando a ser utilizados pelos agricultores como um meio barato e altamente eficaz de controlar a população de determinados roedores.


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